Wolf Creek é, para quem gosta de um bom filme de terror, um alivio geral em base do que eu tenho visto nos ultimos anos. Para começar, o filme foi baseado em fatos reais, o que aumenta ainda mais o sentimento de tensão ao decorrer da história.
Com tanto filminho de psicopata que lançam por ai, com jovens semi-nuas sendo perseguidas sem qualquer bom motivo, um filme onde existem apenas 3 ótimos protagonistas (Cassandra Magrath, Kestie Morassi, Nathan Phillips) e a dura sensação da cruel realidade, é um grande achado.
Baseado nos contos de mochileiro que são seqüestrados na Austrália e não são mais visto, é moldada a história de Ben, Liz e Kristy, três jovens amigos que saem para achar a cratera de Wolf Creek e acabam presos na estrada com o carro quebrado. Como todo bom mochileiro, pegam carona com o simpático caminhoneiro Mick que supostamente que ajudá-los, mas leva os três para uma "viagem ao inferno" (Com o perdão do trocadilho).
Como alguém vai sentir medo em um filme onde você não sabe nada sobre os protagonistas e o assassino? É preciso ter uma conexão, um entendimento sobre o personagem para sentir o verdadeiro medo, e é nisso que Wolf Creek triunfa. Já que só existem quatro personagens na trama, e os primeiros 20 minutos são dedicados a mostrar sua viagem, tem-se tempo de conhecê-los. Por exemplo, a cena em que Ben e Liz estão sozinhos na cratera. Trocam um olhar, sorriem um pouco envergonhados, um pequeno beijo e se separam logo, rindo. Sem sexo, sem apelação desnecessária.
Alem disso, são raras as situações “Eu faria diferente”. Quando Mick aparece pela primeira vez, ele parece tão inocente quanto os protagonistas imaginam. De maneira alguma suspeito, é difícil até de acreditar que ele possa se tornar um vilão, até que Bem faz uma piada sobre ele e vê-se um vislumbre de sua verdadeira personalidade. Um monstro psicopata. E as seqüências de terror não se resumem a medíocres corridas com facas em punho. Como são apenas três protagonistas, se o diretor saísse matando sem pensar duas vezes, o filme poderia ser resumido a meia hora de duração. O terror psicológico – e real – cobre torturas, um quase estupro, cenas de tensão absurda e um final angustiante.
Altamente recomendado, até para que não é fã do gênero.
Afinal, o que nos assusta mais do que a realidade?

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