quinta-feira, 25 de outubro de 2007
The Main Character Pt 1
Paul – 16 – All Seasons.
Dramatic Arch: Drugs, Violence, Sex, Sarah
Sarah – 16 – All Seasons
Dramatic Arch: Drugs, Violence, Sex, Paul, Seth
Matt – 16 – Three Seasons
Dramatic Arch: Father relationship, Anna problems, Die hit by a car
Seth – 17 – All Seasons
Dramatic Arch: Sarah, Violence
Luke – 16 – Two Seasons
Dramatic Arch: Financial Problems, Suicide
Tony – 17 – Three Seasons
Dramatic Arch: Sickness, Jennifer, Death
Anna – 16 – All Seasons
Dramatic Arch: Relationship with Matt and his father
Jennifer – 18 – All Seasons
Dramatic Arch: Anti Depressives, Abused by Father, Tony
Robbie – 16 – Three Season
Dramatic Arch: Homossexual, Teacher, Quincy, Beaten to Death
Quincy – 17 – Two Seasons
Dramatic Arch: Homossexual, Kendra, Robbie, Travel Away
Kendra – 17 – All Seasons
Dramatic Arch: Quincy, Virginity, Travel Away
Eddie – 17 – Three Seasons
Dramatic Arch: Violence, Kill Matt and Robbie, Jail
SUBJECTS MISSING: AIDS, Pregnancy
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Today
Tears look bright
In shades of heaven
Or the blue moon light
In the Garden of Eden
Adam and Eve cried together
And prayed for the future
To last forever
Ohhh
I don’t wanna know
What will comes next
But think of now
And think of how
Let’s sin the night away
Just think about today
Wiseman said
Tomorrow will never come
Today is never done
While we remember the things
We left unsaid
And Ohhh
I don’t wanna fight
The words came out this way
And I never meant to hurt you
Why can’t you say
All those things you felt that day
And we could end this night
However you feel like
Ohhhh
Let’s sin the night away
Let’s sing for today
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Notas sobre um Escândalo

O ano passado foi um ano de grandes atuações. É possível dizer que foi um dos melhores do novo milênio. No Oscar, vinte atuações memoráveis, e mais umas dezenas ficaram de fora. E, mesmo no meio de tantas atuações boas, Notas Sobre um Escândalo conseguiu pegar duas das vinte indicações.
Judi Dech já é figura marcada em qualquer premiação; uma das melhores atrizes da atualidade, a veterana inglesa (Engraçado notar que a maioria das grandes atrizes é da pequena ilha britânica) domina qualquer filme que apareça, e dessa vez achou alguém para queimar a tela em conjunto. Cate Blanchett faz o papel de Sheba Hart, professora nova em uma escola publica de Londres. Jovem e sensual, ela atrai a atenção de todos na escola, inclusive a da professora sênior Bárbara (Dench) que se interessa pelo fascínio que ela parece causar em todos. Bárbara escreve todos os seus segredos e confissões em seu pequeno caderno e não os revela para mais ninguém. “Todos confiam seu segredo a mim, mas a quem devo confiar os meus?” Diz ela logo no começo do filme. Conforme Bárbara e Sheba vão virando amigas, a primeira começa a se apaixonar pela jovem professora. Os comentários dela ao longo do filme dão a entender que Bárbara não só é lésbica como ainda é virgem (“...Tão cronicamente intocada...” ) e já tivera um relacionamento com uma ex-professora.
Tudo vai abaixo quando Bárbara descobre que Sheba vem se relacionando com Steven (Andrew Simpson), um estudante de 15 anos. No começo ela pretende entregar Sheba para as autoridades, mas enquanto escuta a outra confessar vê isso como uma maneira de tirar proveito.
É difícil escolher a melhor das duas atuações, já que as duas estão brilhantes. Blachett traz uma tristeza sutil para Sheba, que ela tenta esconder pela fachada de sua família – um dos melhores lados do filme. A família de Sheba é longe de ser perfeita. Ela se casou – ironicamente – com um professor muito mais velho que ela (Bill Nighy, numa atuação excelente), tem uma filha que vive se desentendendo com o namorado e um filho com síndrome de down, mas parece amar a todos da mesma maneira, enquanto Bárbara olha para eles com desprezo. Desprezo, por sinal, é um dos sentimentos que mais se vê em Bárbara, que consegue a confiança de todos aqueles de que se aproxima com sua amabilidade.
No final, Notas Sobre um Escândalo é um ótimo filme, realista, sério, humanista e profundo. Um dos que reuniu o maior numero de boas atuações do ano, e que merece ser assistido e refletido.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Cidadão Kane

Pode uma palavra sozinha, definir a vida de um homem? Se muitos dizem que não, a de Charles Foster Kane pôde. Toda a vida do genial magnata da imprensa foi reduzida a uma palavra, a primeira do filme, e a ultima de Kane: Rosebud. Depois da morte de Charles, o significado da palavra permanece oculto para o mundo. É Rosebud que guia o filme: Um repórter e designado para conhecer toda a vida do magnata para descobrir o significado de sua derradeira palavra.
Considerado pelo American Film Institute como o maior filme de todos os tempos, Cidadão Kane foi obviamente subestimado na época do seu lançamento, e Orson Welles, roteirista, produtor, diretor e ator principal do filme ganhou apenas o premio de melhor roteiro original. Mas premiações nunca atrapalharam nenhum filme, e não conseguem atrapalhar esse. Kane foi brilhantemente dirigido, e fez coisas que na época pareciam impossíveis. Os ousados ângulos de câmera de Welles foram os pioneiros de certos estilos, como, por exemplo, mostrar o teto em cenas internas. Ele queria que Kane fosse filmado por câmeras rebaixadas, de maneira que, se os equipamentos de filmagem ficassem no lugar do teto, a cena seria impossível. Ele foi simples, cobriu o lugar com o um pano e colocou o material por cima, deixando o teto ligeiramente mais baixo do que deveria. A decisão de fotografar Kane por baixo teve sentido: Ele queria realçar o poder dele, mostrando-o como alguém grandioso e influente.
A câmera é um personagem do filme. Seu trabalho é fundamental, e suas jogadas podem parecer imperceptíveis, porem perfeitas. Na hora em que a fotografia mergulha por uma clarabóia direto para o rosto desolado de uma das amantes de Kane, Welles passou de uma maquete para o estúdio sem perder o foco da câmera, o que fez o mundo acreditar que aquele mergulho era real.
Charles Foster Kane era, antes de tudo, um homem brilhante. Depois de ter sido afastado de casa, ele fica rico no ramo de jornais e se torna um dos homens mais ricos do mundo. Porem, ele acredita ter mais poder sobre sua vida e a dos outros do que realmente tem. Ele se casa apenas por achar que pode fazer a mulher ser um sucesso, porem falha miseravelmente. Em uma única cena ele mostra o adorável começo do casamento deles, em torno de uma mesa, até os indiferentes jantares no final da relação. Ele constrói um teatro apenas para que a nem um pouco talentosa Susan Alexander (Dorothy Comingore) possa se apresentar. No final do seu primeiro espetáculo, as pessoas que a assistiam aplaudem de maneira quase robótica, mas a câmera da uma guinada e nos leva até Kane, parado imponente no seu camarote, que se levanta e começa a aplaudir com mais força e vontade do que todo mundo, de maneira desafiadora.
A cena final é cruelmente interessante. Depois de passar o filme todo procurando o significado da ultima palavra de Charles, Jedediah Leland (Joseph Cotten, que só é mostrado de costas ou em um perfil mal iluminado) se encontra na casa de Kane em Xanadu, e desiste de achar a resposta para a palavra. Ele se retira, mas a câmera continua. Ela se movimenta sobre os móveis da casa, prontos para serem queimados, todos empilhados, e começa a descer para cima de um, que é pego e jogado no fogo. E no meio das chamas, prestes a se perder para sempre, é possível de ler claramente no trenó que pertencera a Kane na sua problemática infância, a palavra que ele escolhera para terminar sua vida: Rosebud.
Na verdade, Cidadão Kane nunca diz o que significado essa palavra. Ele mostra o que ela é, mas não diz seu significado. Pode ser o nome de alguém da família, de um lugar especial, ou até mesmo de algum amor antigo. Mas quando é possível ler Rosebud, na derradeira cena final, nós sabemos que o seu significado esta acima do filme, ela simplesmente estava lá o tempo todo, pairando acima de nós e rindo. Rindo da busca do mundo para descobrir o significado de uma palavra que não queria dizer nada.
Nota Final: 9.5
sábado, 18 de agosto de 2007
Um Estranho No Ninho

Em 1975, Jack Nicholson já tinha quatro indicações ao Oscar, por Easy Riders, Cada um Vive Como Quer, Chinatown e A Ultima Missão. Sua presença na cerimônia de 1976 não foi nenhuma surpresa, e sua vitória, mais normal ainda.
Até hoje, pouquíssimas atuações superam a de Nicholson em Um Estranho No Ninho. Ele é tão natural, tão verdadeiro que o personagem parecia estar tomando conta. Na verdade, o elenco inteiro é um deleite. Foi o filme que lançou a carreira de vários atores como Danny DeVitto, Christopher Lloyd e Brad Dourif (Até então um garoto promissor). Seus papéis são pequenos, porem cada um deles é fundamental para o filme. A história se centra em um hospício, onde se passa quase todo o filme. Randle Patrick McMurphy (Nicholson) é um prisioneiro que simula insanidade para escapar do trabalho, e é mandado para um hospício. Ele acredita estar sendo inteligente, fugindo da prisão para um lugar muito mais calmo. A esperteza de Patrick é desmentida pela enfermeira Ratched (Louise Fletcher, também vencedora do Oscar) que controla a instituição com uma tirania ditadora.
Patrick é um homem diferente de todos que os interno conheciam. Ele não aceita as ordens impostas para tentar dominá-lo. Quando a enfermeira o pede para tomar uma pílula que ele acreditava desnecessária, Patrick recusa-se a tomar. Então Ratched, com uma calma cruel, afirma: “Bem, se o Senhor McMurphy não quer tomar seus remédios por via oral, tenho certeza que podemos arranjar outro jeito”. Logo fica claro para todos o que ela quer, inclusive para Patrick, que pega a pílula e segura na boca até ter distancia suficiente para cuspi-la fora. Todos ao seu redor parecem surpresos por sua atitude e Randle os ridiculariza.
A enfermeira Ratched é, na minha opinião e da dos críticos do American Film Institute, a mais perversa de todos os vilões de cinema. Atualmente, os vilões são assassinos em série que matam adolescentes seminuas, e mesmo depois do fim do filme você ainda não percebeu crueldade neles. A enfermeira-chefe é desumana, ela é como o diabo vestindo roupas de hospital. Ela oprime Patrick, tenta transformá-lo em um prisioneiro. E é sobre isso que o filme trata principalmente; a busca pela liberdade, tanto como física como de expressão.
De certa forma, todos aquele estão em busca de liberdade. Em certa altura do filme, Patrick consegue escapar com um ônibus cheio de internos, e, ao invés de procurar fugir do país ou coisa assim, ele pega sua namorada (Mews Small) e parte para uma pescaria. A cena é tão brilhante que merece uma atenção especial. Todos os internos estão lá, ao alto mar, sem ninguém para cuidar deles, Patrick os ensina a pescar e exclama para um deles: “Você não é um idiota! Você não é um maldito lunático agora, garoto! Você é um pescador!”. E você pode perceber, que nesse momento, eles estão mais felizes do que jamais estiveram.
Patrick é um personagem incrível. Assim que ele chega no lugar, ele encontra um índio enorme que, logo o informam, é surdo e mudo. Mais tarde, ele está na quadra de basquete e começa a conversar com o índio, que todos chamam de Chefe, e ensiná-lo a jogar basquete. Ao ver as tentativas de Patrick de ensinar o surdo a jogar basquete um guarda se aproxima e diz “Do que adianta? Ele é surdo”. E ele responde: “Então não vai fazer mal nenhum”. Por fim, o Chefe aprende a jogar e quando os presos começam a jogar contra os guardas, é clara a alegria deles e o desprezo dos guardas.
Apesar de tudo, mas especial do que o filme propriamente dito, foi a história de sua produção. Kirk Douglas queria adaptar o livro de Ken Kesey para o cinema, depois de representá-lo nos teatros por poucos meses. Porém encontrou diversos problemas no caminho, como a falta de um produtor interessado. Muitos anos depois, quando o filme estava preste a cair no esquecimento, Michael Douglas, filho de Kirk pegou o roteiro e decidiu o levar adiante. Como Kirk estava muito velho para o papel, Michael teve que ir atrás de um elenco diferente do programado e começou convidado James Caan para fazer o papel principal. Hoje eu penso que erro teria sido, se Caan tivesse pegado o papel. Ele é, indubitavelmente, um ótimo ator; mas seu estilo durão não se encaixaria no papel como o espírito jovial e brincalhão de Nicholson. Por fim, com Fletcher escalada para fazer a vilã, o filme começou a filmagem, que demorou, sofreu alguns problemas com o tempo, mas conseguiu lançar na data programada.
Milos Forman estreeou no cinema com vinte e oito anos, em 1960, com o filme tchecoslovaco Lanterna Magika II, porém, Um Estranho No Ninho foi seu primeiro filme de sucesso. Sucesso tão merecido que foi laureado com o Oscar de melhor diretor. Esse filme parece ser o filme que melhor caracteriza o espírito que ele impõe em suas produções. Em todas suas produções seguintes, de Hair até O Mundo de Andy, seus personagens principais sempre se encontrar, de certa maneira, distantes e excluídos da sociedade. Em Amadeus, F. Murray Abraham se sente culpado pela morte de Mozart e tenta se suicidar. Em O Povo Contra Larry Flint, Woody Harrelson é extremamente criticado e provocado por ter lançado a primeira revista pornográfica do mundo. E, é claro, temo Randle McMurphy. Ele é totalmente contrariado e humilhado na instituição, mas não deixa que os enfermeiros o tornem um prisioneiro. Ele é livre, e quer mostrar a liberdade para os outros.
De toda a carreira de Nicholson, ele nunca conseguiu uma atuação mais realista do que a do seu primeiro Oscar. Sua representação em Melhor é Impossível, assim como em As Confissões de Schmidt, é esplêndida. Mas muito provavelmente ele não conseguira atingir o ponto que ele toca em Um Estranho No Ninho de novo.
Eu não acredito que esse filme irá durar muito tempo. A batalha de Patrick, que se demonstra tão ganha no final do filme, por liberdade é inspiradora, mas na vida real, parece ter perdido lugar para os ideais da enfermeira Ratched. Infelizmente as próximas gerações não vão ter lugar para Um Estranho No Ninho assim como não terão para Easy Riders ou qualquer filme que demonstre um ideal perdido. Os personagens de Henry Fonda e Dennis Hopper em Easy Riders não tem um destino marcado e seguem o estilo de vida que eles achavam certo, se drogando e fazendo sexo com mulheres diferentes. A idéia de sexo e drogas livres, hoje já foi abolida e Easy Rider já não tem mais sentido para que não vivenciou aquela época. Mas se existe uma esperança para Um Estranho No Ninho, está naquelas pessoas que, mesmo depois de tanto tempo, ainda confiam nas idéias que o filme prega. Mas uma vez que Um Estranho No Ninho começa a fazer efeito na pessoa que o viu, o filme já conseguiu seu lugar para ser lembrado pela sua beleza, inteligência e curiosa satisfação por conseguir existir com tamanha perfeição. E a uma vez vivenciada esta experiência, você entenderá o verdadeiro significado de liberdade. Esse é o efeito que Um Estranho No Ninho deve ter sobre as pessoas. Conquistar o seu lugar e nunca mais sair dali.
Nota Final: 10,0
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Wolf Creek - Viagem ao Inferno
Wolf Creek é, para quem gosta de um bom filme de terror, um alivio geral em base do que eu tenho visto nos ultimos anos. Para começar, o filme foi baseado em fatos reais, o que aumenta ainda mais o sentimento de tensão ao decorrer da história.
Com tanto filminho de psicopata que lançam por ai, com jovens semi-nuas sendo perseguidas sem qualquer bom motivo, um filme onde existem apenas 3 ótimos protagonistas (Cassandra Magrath, Kestie Morassi, Nathan Phillips) e a dura sensação da cruel realidade, é um grande achado.
Baseado nos contos de mochileiro que são seqüestrados na Austrália e não são mais visto, é moldada a história de Ben, Liz e Kristy, três jovens amigos que saem para achar a cratera de Wolf Creek e acabam presos na estrada com o carro quebrado. Como todo bom mochileiro, pegam carona com o simpático caminhoneiro Mick que supostamente que ajudá-los, mas leva os três para uma "viagem ao inferno" (Com o perdão do trocadilho).
Como alguém vai sentir medo em um filme onde você não sabe nada sobre os protagonistas e o assassino? É preciso ter uma conexão, um entendimento sobre o personagem para sentir o verdadeiro medo, e é nisso que Wolf Creek triunfa. Já que só existem quatro personagens na trama, e os primeiros 20 minutos são dedicados a mostrar sua viagem, tem-se tempo de conhecê-los. Por exemplo, a cena em que Ben e Liz estão sozinhos na cratera. Trocam um olhar, sorriem um pouco envergonhados, um pequeno beijo e se separam logo, rindo. Sem sexo, sem apelação desnecessária.
Alem disso, são raras as situações “Eu faria diferente”. Quando Mick aparece pela primeira vez, ele parece tão inocente quanto os protagonistas imaginam. De maneira alguma suspeito, é difícil até de acreditar que ele possa se tornar um vilão, até que Bem faz uma piada sobre ele e vê-se um vislumbre de sua verdadeira personalidade. Um monstro psicopata. E as seqüências de terror não se resumem a medíocres corridas com facas em punho. Como são apenas três protagonistas, se o diretor saísse matando sem pensar duas vezes, o filme poderia ser resumido a meia hora de duração. O terror psicológico – e real – cobre torturas, um quase estupro, cenas de tensão absurda e um final angustiante.
Altamente recomendado, até para que não é fã do gênero.
Afinal, o que nos assusta mais do que a realidade?
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Dear Wendy
Pensei em várias maneiras de como começar a falar de Querida Wendy, mas conforme eu ia pensando não cheguei em nenhuma conclusão. O filme é tão...Brilhante, Inteligente, Ousado, Diferente de tudo que você já viu, que a verdade é que acho difícil comentar ele, mas vou tentar.
Para começar, Wendy foi escrito por Lars Von Trier, de Dogville e dirigido por Thoman Vinterberg, os principais membros do movimento Dogma 95. Juntos eles recuperaram o prestigio perdido com os horríveis Manderlay e Dogma do Amor. A história, sobre jovens sem futuro com uma obsessão por armas de fogo, pode ser ou não uma metáfora, depende apenas se o espectador deseja que sim. Pode ser apenas uma pequena história sobre como armas mudam as vidas das pessoas, ou uma critica com o nome de Charlton Heston estampado na cara, tudo depende do seu ponto de vista.
Tudo começa com a história do jovem Dick (Jamie Bell, em uma aula de interpretação) que compra uma arma para dar de presente e descobre que ela é perfeitamente funcional, desenvolvendo assim uma afeição pela arma, a qual decide chamar de Wendy. Junto com um amigo que também possui uma arma, resolve chamar os “fracassados” da cidade e forma um clube intitulado “Os Dândis” onde cada membro tem sua arma, a qual dão nomes e tratam como seres humanos. Lá, eles estudam armas de fogo, fazem jogos, atiram em objetos e parecem enfim satisfeitos, uma vez que, mesmo que tenham jurado nunca atirar em ninguém, se sentem mais poderosos ao carregar as armar nos seus bolsos.
A cidade onde eles moram é uma típica cidade mineira dos EUA, onde todo a vida da comunidade esta em volta de uma praça. Os homens que não conseguem um trabalho na mina são considerados fracos. Dick e seus amigos reclamam no começo do filme de como a praça pertence aos mineradores, mas quando carregam a arma consigo no bolso, tem coragem de atravessar a rua contra a maré de mineiros que passam por ali olhando desconfiados para eles.
O problema começa quando um antigo conhecido de Dick, Sebastian (O ótimo Danso Gordon) se envolve com um assassinato e volta para a cidade, onde fica sobre os cuidados de Dick, que depois de um tempo resolve levá-lo para conhecer o Dandis. O fato de Sebastian ser negro e estar acumulando popularidade entre seus amigos, enfurece Dick. Em uma conversa com Susan (Alison Pill) ela o chama de bonito, e Dick rebate “Para mim ele é só preto”. E em mais de uma vez no filme, existem referencias ao tamanho das genitais dos negros, um pequeno detalhe do diretor, que em entrevistas já revelou ter inveja do tamanho avantajados dos negros.
Quando Sebastian da uns tiros com Wendy, Dick perde o controle e briga com ele, sentindo uma inveja selvagem de sua arma, a qual, de acordo com ele, sentiu uma queda pela “maneira rude” de Sebastian atirar. Logo em seguida ele pede para um dos Dandis para que retire a mira da arma, numa referencia óbvia as mutilações genitais das mulheres na África, sofridas em caso de adultério, que o que Dick acredita que aconteceu. Wendy o traiu.
Quando a merda eventualmente atinge o ventilador, e os Dandis se encontram em uma situação onde poderão precisar usar seus companheiros, somos presenteados com uma brilhante seqüência de mais de quinze minutos que vai ficar marcada na memória. Vinterberg se utiliza todo tipo de imagem para montar a cena final, quando o conceito de paz americano é estraçalhado por um monte de jovens que só queriam ser alguém na vida.
Querida Wendy é possivelmente o melhor filme de 2005, o melhor da carreira dos envolvidos (Inclusive a de Bill Pullman) e uma aula de cinema para aqueles que estiverem a fim de arriscar essa excelente história, banhada por uma deliciosa e retro trilha sonora do The Zombies, uma fotografia no ponto e atuações que surpreenderiam até os atores mais experientes.
domingo, 12 de agosto de 2007
A Rainha
Em 31 de Agosto de 1997, Diana, ex-mulher do príncipe Charles, e princesa de Gales morreu em decorrência de um acidente de carro em Paris provocado por papparazis sedentos por mais uma foto da mesma. Diana era (E ainda é) uma das celebridades mais amadas pelos ingleses, principalmente por seus modos simples e por ser um espelho do povo na monarquia. A verdade é que a Rainha Elizabeth II e seus afiliados nunca gostaram muito da garota, que tinha apenas 36 anos na ocasião do acidente, e pareciam contentes da separação dela com Charles, depois de um casamento que começara em 81 e gerara dois filhos.
Quando receberam a noticia da morte, a reação inicial da família real foi a de deixar o assunto do funeral e enterro com a família de Diana, uma vez que ela não mais fazia parte da realeza. Porém, conforme o tempo passou, o povo ficou indignado com a aparentemente falta de sentimento da rainha. O recém eleito primeiro ministro Tony Blair fez discursos e aparições em publico sempre trabalhando para defender a rainha e tentando convencer a mesma a realizar um funeral publico. Todo o tumulto durou pouco menos de uma menos de um mês, e a decisão final da rainha aumentou o afeto que o povo inglês sentia dela.
Esse período de tempo, difícil e complicado para a monarquia inglesa é retratado otimamente pelo diretor Stephen Frears (Indicado ao Oscar) que faz um trabalho cuidadoso e meticulado para dar mais realismo ao filme. E isso é o que não falta. A atuação de Helen Mirren é tão realista que a própria Rainha se assustou com a semelhança de Mirren, física e psicologicamente. Agraciada com todo tipo de premio (Incluindo Oscar, Globo de Ouro e BAFTA), sua atuação parece passar como a melhor do ano, (Empatando, na minha opinião, talvez com Leonardo DiCaprio em Os Infiltrados, [Atuação exemplar esquecida pela Academia]), carregando em cada olhar, em cada movimento dos lábios o tom correto a cena, trazendo cordialidade quando fala com o povo, e solenidade quando se encontra sozinha com um alce na cena mais inesquecível do filme. Primeiro ela se sente observada, e nos compartilhamos esse medo. Em seguida aparece no topo de uma colina um alce enorme, o objetivo de caçada do seu marido e netos. Uma exclamação de surpresa. Nenhum movimento a mais. Um olhar cuidadoso e piedoso. E então, apenas uma frase: “Deus, você é lindo”.
O contraponto a atuação calma de Mirren é o personagem de Michael Sheen, Tony Blair. Ainda em começo de carreira e perigando conquistar a antipatia do publico ou da Rainha em cada movimento que dava, ele se encontrava em uma situação complicada. Sua atuação também foi excelente, mas não diria esquecida pela Academia, uma vez que os concorrentes, a até aqueles que ficaram de fora (Jack Nicholson por Os Infiltrados, por exemplo) estavam melhores. Recebeu outras quatro indicações ao Oscar, mas lucrou apenas a de melhor atriz, o que não desmerece essa ótima obra que mostra o lado pessoal daquelas pessoas que costumamos botar a culpa nas horas de raiva. As autoridades.
Notal Final: 8.5
Os Infiltrados
La pela década de 70, os filmes de máfia (Assim como a maioria dos filmes em geral) estavam morrendo. Então, em 1972, Francis Ford Coppola lança o que a maioria considera o melhor dos filmes do tipo até hoje: O Poderoso Chefão. Este virou ponto de referencia para filmes de máfia, o Vito Corleone de Marlon Brando se tornou a imagem de mafioso clássica e o gênero mais uma vez voltou a ativa. Claro, a seqüência (As vezes considerada até melhor do que o original) saiu pouco tempo depois mas só aquela série não servia para manter o gênero aceso. Scorsese já trabalhara com crime organizado em Caminhos Violentos, mas de um ângulo diferente. Enfim que o homem faz Os Bons Companheiros (Esse sim que eu acho que seja o melhor filme do assunto). Pareceu que ele dizia “Esqueça o que você acha que saiba sobra máfia, aqui esta a verdade”. Baseado em um livro escrito por um mafioso em pessoa sobre o tempo que viveu entre os poderosos, o filme não só é brilhantemente atuado e dirigido como revelou a outra faceta dos gângsteres atuais. Violentos e problemáticos, eles aproveitam todo o glamour do poder e do dinheiro, mas sempre cercados de violência crua. Em Cassino ele ainda repetiu a façanha.
Agora, já se passaram onze anos desde Cassino e Martin produz mais um filme de máfia. E a primeira coisa que deve ter vindo à cabeça dos espectadores foi “Desgraçado. Ele conseguiu de novo”. E conseguiu mesmo.
Os Infiltrados só tem o estilo de Martin de igual com seus filmes anteriores, pq essa nova brilhante obra é um fucking filme brilhante. O roteiro (Justamente premiado com o Oscar) é de uma inteligência que não se vê em um filme policial desde Se7en. Tudo começa com um genial monologo do mafioso irlandês Frank Costello (Jack Nicholson) sobre, entre outras coisas, poder. Em pouco tempo temos uma idéia geral da personalidade de Costello. Scorsese usou uma estratégia curiosa: Durante essa seqüência inicial inteira ele manteve o rosto de Costello durante as sombras, não só para esconder a idade de Nicholson (Na época com quase 70 anos), mas para manter uma aura ao redor de mistério ao redor do mafioso. Ele aborda um garoto e pergunta se ele é filho de alguém; o garoto confirma. Costello da alguns presentes a ele e diz aonde ir se quiser o encontrar para ganhar algum dinheiro. Colin Sullivan (Matt Damon) logo cresce e é possível o ver treinando para entrar na policia estadual de Boston. Ao mesmo tempo, Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) também tenta virar policial. Porem, quando ele vai se encontrar com os capitães Queenan (Martin Sheen) e Dignan (Mark Whalberg, indicado ao Oscar), ao contrario de Sullivan que teve uma boa aceitação, é criticado pelo passado familiar no crime. Seu tio havia feito parte do crime organizado, trabalhando até com Costello. Sendo assim, eles vêem em Billy o sujeito ideal para seus planos: Se infiltrar na gangue de Costello. Para isso, Costigan tem apenas de cometer um crime e passar um tempo na prisão, para justificar o fato de ele não ser mais um policial.
A trilha sonora do filme é um caso a parte. De Rolling Stones a Pink Floyd, o usual colaborador de Scorsese, Howard Shore fez uma escola excelente para a trilha. Destaque para “I’m Shipping Up To Boston”, uma espécia de rock irlandês com direito até a gaita de fone. Ela começa a tocar exatamente na hora que o filme começa de fato, quando Costigan entra na prisão para começar o projeto.
Um dos grandes feitos de Os Infiltrados é conseguir superar o filme em que foi baseado. Conflitos Internos, visto separadamente, é um bom filme. Mas comparado com sua refilmagem é que alguns defeitos vêm à tona. Tomando por exemplo Billy Costigan. Em Conflitos a família dele não tem nenhum passado criminoso, não mostra o começo de sua infiltração e nem como ele subia no conceito do Costello coreano. Basicamente, o que aparece em 10 minutos de um, demora uma hora em outro. Isso não deveria ser um defeito? Enrolar muito? Não, quando o tempo é utilizado para cuidar mais dos personagens. Colin Sullivan é tratado quase como um filho por Costello (O que levam muitos a pensar que ele realmente seja o filho do mafioso) e, quando ganha seu cargo na policia é solicitado para solucionar dos problemas: Achar o infiltrado de Costello na poliicia e o infiltrado da policia na gangue de Frank. Ele tem que achar a si mesmo e um cara que não tem idéia de quem possa ser.
O roteiro de Willian Monaghan surpreende, antes de tudo, pela inteligência. Scorsese é muito talentoso para deixar tiros e explosões serem os astros do seu filme. Mas também sabe que não pode excluí-los. Então, prefere dar uma pressão maior na tensão do longa, que beira o insuportável em algumas horas. Costigan passa a ficar paranóico depois de passar um ano com Costello. Qualquer movimento que ele faça errado pode matá-lo, piorando quando Frank descobre que existe um infiltrado em sua equipe. Então Billy começa a tomar calmantes e freqüentar uma psicóloga (A ótima Vera Farmiga), esta que é a atual namorada de Sullivan. O contraponto para a agonia psicológica de Billy é exatamente a calma de Colin, que parece ter tudo sobre controle, e por vezes ainda arrisca mais, irritando Costello – o que gera brilhantes nuances da verdadeira personalidade vulnerável e insegura dele, quando criticado pelo “pai”.
Deve ficar claro que o diferencial de Os Infiltrados é que é um filme de personagens. A história por si só, sem um aprofundamento qualquer não seria digna de duas horas e meia da vida de ninguém. Todos, inclusive os coadjuvantes, são essenciais para a trama. Desde o capitão Queenam até Costello, cada um desempenha seu papel com excelência. De tantas atuações afiadas, fica difícil destacar uma em especial. Mas se me pedirem para escolher, vou sempre ficar em duvida entre DiCaprio e Nicholson. Enquanto DiCaprio fornece uma das melhores atuações de todo ano e a melhor de sua carreira, Nicholson parece confortável com seu jeito de psicótico. Talvez ele esteja apenas fazendo a si mesmo, como dizem. Mas qual o problema, quando isso já é o bastante? Graças a ele, Frank foge dos estereótipos de mafioso que rodam os filmes do tema. Utilizando-se do charme inegável de Nicholson, Costello exprime perigo por cada um dos seus cantos. Pervertido e cruel, o mafioso começa a perder o controle conforme chega o final do filme. Certa hora, ele aparece com sangue até os cotovelos, troca umas palavras com Billy e berra “Tragam-me um balde e um esfregão”. Essa naturalidade com a morte é um tópico muito bem tratado no filme. Quando, bem no começo do filme, Costello mata um casal, ele só se da ao trabalho de soltar uma risadinha e falar “Ela caiu engraçado”. Envolvido por essa onda de assassinatos, Costigan tem dificuldade de se adaptar e acaba se tornando violento.
Este é um daqueles filmes que, não importa a duração, você simplesmente não consegue desviar os olhos da tela. São duas horas e meia que passam voando. Scorsese dirige o espetáculo com a perícia que apenas um mestre conseguiria, arquitetando seqüências memoráveis, como a em que Sullivan liga para Costigan e os ficam na linha sem falar nada, tentando antecipar o movimento um do outro. Uma olhada superficial não daria nenhuma importância para essa cena em especial, mas com um olhar mais aprofundado, se percebe toda uma essência do filme ali mesmo. Os dois, um de cada lado, em silencio absoluto imaginando o que o próximo irá fazer e tentando se antecipar. As expressões tanto de DiCaprio quanto de Damon já valem o filme.
Outro fato que ajuda a fazer o filme passar rápido é exatamente que tudo na tela passa depressa. Como os dois infiltrados estão por si só, tem que pensar mais rápido do que qualquer um ao seu redor para se dar bem, e isso pode prender qualquer um na cadeira pelo tempo que seja. Todo um plano foi armado para prender Costello e sua gangue, que, por intervenção de Sullivan, já estão ciente e prontos para escaparem. De repente o policial extremamente viril interpretado por Alec Baldwin (Ótimo) avisa que houve uma mudança na estratégia. Sullivan começa a fazer a mente ferver para achar uma solução rápida e avisar Costello, sem parecer suspeito, enquanto Costigan precisa arrumar um jeito de burlar o improviso de Colin. É um genial jogo de gato e rato em que qualquer movimento errado pode matar alguém.
Os Infiltrados não é nem de longe um filme que subestima sua inteligência. Ao contrario da maioria dos policias de Hollywood que já vem mastigados para o publico não precisar se esforçar muito, Scorsese confia que você vai pensar um tanto e entender o que esta acontecendo, discutindo até depois que a sessão já acabou. Nesse filme você não vai achar uma daquelas cenas onde o personagem revela suas ações para o mundo inteiro antes de efetuá-las. Cabe ao espectador acompanhar o raciocínio dele, por exemplo, quando Sullivan, de repentino, manda que o capitão Queenan – seu próprio chefe – seja espionado. E mesmo quando não se trata de raciocínio, algumas das tiradas mais brilhantes do filme lhe recordam a cenas que de inicio não pareceram importantes, mas que podem mudar totalmente o rumo do filme.
Basicamente, Os Infiltrados é uma aula de cinema em todos os aspectos. Dos ângulos de câmera até o roteiro inspirado de Monaghan, Scorsese arquitetou uma mini-obra prima do gênero policial. Em uma trama de gato e rato em que o felino e o roedor têm suas personalidades despedaças e estudadas, pedaço por pedaço, uma simples perseguição não basta sem as mãos de alguém que sabe o que esta fazendo para comandar. E como ainda falamos de um dos maiores diretores de todos os tempos (E o melhor em atividade), ele claramente sabe o que esta fazendo. Os diretores atuais podiam pegar Martin como base para uma careira sólida, e pegar Os Infiltrados como base para um bom filme policial. Até agora, Scorsese é o professor. Os outros são os alunos.
Nota Final: 9.5
